Setor calçadista de Franca: dados apontam quedas no emprego e nas exportações

27/05/2019

Números preocupam, mas espera-se que a retomada do setor comece com o segundo semestre.

SETOR CALÇADISTA DE FRANCA: DADOS APONTAM QUEDAS NO EMPREGO E NAS EXPORTAÇÕES




EMPREGO 



O saldo CAGED de abril/19 surpreendeu com 236 vagas, um índice positivo de 71,2%, comparado ao mesmo mês em 2018 quando tivemos um saldo positivo de apenas 68 vagas. Apesar disso, o emprego na indústria calçadista ainda está aquém do esperado já que no total de empregos em 2019 ainda estamos com apenas 18.445 funcionários, 14% a menos se comparado com o mês de Abril/18, quando tínhamos 21.029 empregados. A vagas do setor calçadista paulista também apontam queda neste primeiro quadrimestre de 2019: dos 40.301 empregados em abril/18, hoje o estado de SP possui 34.885 funcionários no setor calçadista. Uma queda de 13,4%, quedas que vem sendo constantes nos últimos anos. Já no cenário calçadista brasileiro, o número total de funcionários do setor vem se mantendo há alguns meses: em abril apuramos um total de 290.677 empregados, sendo que no mesmo período de 2018, eram 290.303, um ligeiro aumento de 0,13%. Com a redução do consumo de calçados nos últimos meses, observa-se uma lentidão na recuperação de vagas na indústria. Uma recuperação mais efetiva das vendas do setor dependerá de uma melhora no cenário econômico, que ainda é afetado pelas incertezas políticas e das reformas que não avançam.



EXPORTAÇÕES 



O desempenho das exportações de Franca também não anda bem: no mês de abril/19 exportamos US$ 6,4 milhões, uma queda de 19% em relação à abril/18 quando exportamos US$ 7,9 milhões. No acumulado até abril/19 exportamos US$ 22,3 milhões contra R$ 24,6 milhões em abril/18, queda de 9,2%. Os Estados Unidos continua sendo nosso principal importador respondendo por mais de US$ 8,4 milhões de jan a abril de 2019. Devido a alterações no acesso a dados por município pelo COMEX STAT, não temos o número de pares exportados para fazer comparação. As exportações brasileiras de calçados caíram pelo segundo mês consecutivo. Após cair 9,4% em março, em abril o tombo da receita gerada foi ainda maior, de 17,7% na relação com o mesmo mês do ano passado. Dados elaborados pela Abicalçados apontam que no mês de abril foram embarcados 9,12 milhões de pares por US$ 76,66 milhões. Em volume, a queda foi de 7,6% na mesma relação. Com o resultado, no quadrimestre, as exportações somaram 44,16 milhões de pares embarcados, que geraram US$ 343,8 milhões, incremento de 9,4% em volume e queda de 0,1% em receita no comparativo com igual período de 2018. Mesmo amargando queda de 4,4% na receita gerada pelos embarques no quadrimestre, São Paulo foi o quarto maior exportador do período. Nos quatro meses, os paulistas somaram 2,6 milhões de pares embarcados por US$ 35,18 milhões. Em pares, o aumento foi de 15,2% em relação a 2018.



EXPECTATIVAS PARA O PRÓXIMO SEMESTRE



As expectativas do setor para o segundo semestre são muito positivas, especialmente com a proximidade da Francal 2019. A feira internacional que apresenta coleções de primavera-verão de mais de 350 expositores, acontece no Expo Center Norte, em São Paulo/SP, entre 3 e 5 de junho. Para o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão do Couto, a Francal é o termômetro para as vendas de calçados do segundo semestre. “A Francal há mais de 50 anos é a responsável pelo início das vendas das coleções de primavera/verão que respondem pela maior parte dos calçados produzidos no Brasil”, comenta. Ainda segundo o presidente, há uma retomada lenta nas vendas de calçados e segundo a Abicalçados, prevê-se um crescimento no consumo interno entre 0,4% e 2,3%, podendo chegar a mais de 870 milhões de pares. "A Francal servirá para os varejistas abastecerem suas lojas de novidades, despertando o desejo do consumidor pelas últimas tendências da moda", explica o presidente. Para Brigagão, a expectativa também é positiva em relação às exportações, especialmente com valorização do dólar, que faz com que o preço do calçado brasileiro fique mais competitivo no exterior.




Para conferir os dados na íntegra, clique e baixe o RELATÓRIO NICC DE ABRIL DE 2019.