Nova lei dos EUA ajuda os calçadistas brasileiros a exportar mais

26/09/2018

Nova lei de comércio exterior dos Estados Unidos, sancionada pela Casa Branca há duas semanas, deve beneficiar exportadores brasileiros de calçados. Em 13 de outubro, entra em vigor a lei "Miscellaneous Tariff Bill Act of 2018", que prevê a redução de tarifas de importação para mais de 1,6 mil produtos, dentre eles, calçados.

Nova lei nos EUA ajuda calçadistas



Por Cibelle Bouças para Valor Econômico




Nova lei de comércio exterior dos Estados Unidos, sancionada pela Casa Branca há duas semanas, deve beneficiar exportadores brasileiros de calçados. Em 13 de outubro, entra em vigor a lei "Miscellaneous Tariff Bill Act of 2018", que prevê a redução de tarifas de importação para mais de 1,6 mil produtos, dentre eles, calçados. A lei tem vigência prevista até 31 de dezembro de 2020, mas o governo americano pode encerrar o benefício antes do prazo, se julgar necessário. A lei reduz tarifas para 40 categorias de calçados, incluindo sintéticos, de couro, de tecidos e de segurança. As tarifas, até agora, variavam de 6% a 37,5% sobre o valor do calçado.

No caso do Brasil, 60% dos calçados exportados aos EUA serão isentos de tarifas, disse ao Valor Priscila Linck, coordenadora de Inteligência de Mercado da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Os demais 40% tiveram as tarifas reduzidas. "Com as medidas, os calçados brasileiros chegarão ao varejo americano mais baratos. Isso pode melhorar a negociação dos fabricantes brasileiros", disse Priscila.

A Radamés Soulmade Shoes, que exporta calçados de couro aos EUA desde 2008, espera acelerar as vendas. A empresa já previa ampliar os embarques ao mercado americano em 15% neste ano, para 25 mil pares. "Acredito que com a redução de tarifas vamos fechar mais negócios no varejo americano", disse Maurício Ávila, gerente de exportação da Radamés. O executivo vai analisar como fica a demanda nas próximas semanas para buscar novos clientes.

A Kidy Calçados Infantis, de Birigui (SP), vai começar agora a buscar novos clientes nos EUA. "Vamos aproveitar o câmbio favorável e oferecer preços mais competitivos agora, para tentar deslanchar as vendas nos Estados Unidos, que neste ano estão estáveis", disse Rodrigo Nunes, gerente de exportação da Kidy. A empresa produz 20 mil pares por dia e exporta em torno de 15% da produção. Os EUA são seu segundo maior mercado, atrás da Arábia Saudita.

Nos últimos dois anos, o Brasil perdeu espaço no mercado americano para calçados fabricados na Ásia, em particular na China. Em 2017, os EUA importaram 2,38 bilhões de pares de calçados, movimentando US$ 25,14 bilhões. A China respondeu por 71% dos pares e 59% do valor. O Brasil, em 2017, exportou somente 12 milhões de pares aos EUA, somando US$ 204 milhões, segundo a Associação Americana de Distribuidores e Varejistas de Calçados.

A boa notícia para os calçadistas brasileiros é que a China não se beneficiará da nova lei americana. A Casa Branca aprovou, há poucas semanas, uma nova lista de produtos chineses, no valor de US$ 200 bilhões, cuja tarifa de importação subiu para 10% e isso incluiu calçados de couro.

Nos últimos dois anos a indústria brasileira vem perdendo mercado nos EUA. De janeiro a agosto deste ano, o Brasil exportou 6 milhões de pares aos americanos, com queda de 11,6% em relação ao mesmo intervalo de 2017. Em valor, houve queda de 19,5%, para US$ 100,3 milhões. As exportações de calçados em couro aos Estados Unidos foram as que mais caíram neste ano, até agosto.

O mercado americano, até março deste ano, era o principal destino dos calçados brasileiros. A Argentina tomou o lugar. Mas calçadistas ouvidos pelo Valor dizem que as vendas aos argentinos devem cair nos próximos meses, devido a dificuldades financeiras dos importadores. Nos primeiro oito meses deste ano, as exportações brasileiras totais de calçados caíram 10,2%, para 69 milhões de pares. Em valor, houve queda de 10,3%, para US$ 628,3 milhões.

A Bibi Calçados e a Via Uno informaram que não esperam mudanças significativas nas exportações neste momento. Procuradas, Grendene, Alpargatas e Arezzo não quiseram comentar o assunto.



Fonte: Jornal Valor Econômico, edição de 26/09/2018.