ABICALÇADOS: Falta de investimentos trava economia nacional

15/04/2019

Esta foi a avaliação realizada no último dia 11, durante o evento Análise de Cenários, promovido pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), em Novo Hamburgo/RS. O palestrante do encontro, o doutor em Economia Marcos Lélis, disse ainda que a economia brasileira perdeu a ?capacidade de arranque? e que o problema é mais estrutural do que conjuntural.








Falta de investimentos trava economia nacional



O Dr. Lélis ressaltou que, apesar das expectativas positivas geradas pelo novo governo, a economia ainda não reagiu de forma efetiva, com índices de desemprego e inadimplência elevados. “Estamos andando de lado há cinco, seis anos. Os investimentos, tanto públicos quanto privados, estão nos mesmos patamares de 2008 e 2009 ”, disse, acrescentando que a baixa utilização da capacidade instalada do setor – de cerca de 75% – não permite outro cenário. 



Segundo Lélis, a situação não irá mudar sem uma transformação estrutural, com mais investimentos, especialmente por parte do setor público. “Os investimentos públicos vêm caindo de forma mais elevada do que o privado. Em quatro anos, de 2014 a 2018, essa queda ultrapassou 52%”, destacou, ressaltando que o governo precisa voltar a investir, seja por meios próprios ou por meio de parcerias público-privadas. Além do investimento, a retomada econômica passa ainda pelo consumo, que está estagnado em função do desemprego elevado – mais de 12%, sendo que, considerando o subemprego, esse índice sobe para 24% –, e pelo aumento do endividamento das famílias, já em mais de 62%. “Hoje, 88% da produção industrial brasileira é consumida no mercado interno, então se não houver recuperação dessa demanda dificilmente teremos resultados positivos”, frisou o economista, acrescentando que esta vem registrando quedas há oito meses. “Estão nos vendendo que a Reforma da Previdência vai resolver todos esses problemas e não vai”, reforçou.



Mesmo com o cenário ainda desaquecido, Lélis ressaltou que o PIB brasileiro deve crescer 1,1% no ano corrente, com o consumo fechando com incremento de 1,9%. “Lembrando que temos uma base de comparação muito deprimida, de 2018, e que a média história de crescimento do PIB brasileiro nos últimos 20 anos foi de 2,3%. Ou seja, estamos longe de recuperar as perdas, especialmente as dos anos de 2016 e 2017, quando a queda acumulada do PIB chegou a quase 8%.



Cenário externo

Quanto ao cenário externo, Lélis destacou que em 2019 o mundo vem sentindo com mais força a crise provocada pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, com um desaquecimento maior da economia norte-americana. “O PIB mundial vai desacelerar, mas não será a mesma catástrofe de 2009”, projetou, ressaltando que a queda do PIB global deve ser de 0,2% neste ano. O economista previu, ainda, que o dólar ficará, no melhor dos cenários, em R$ 3,72 até junho de 2019.



Relatório

Na sequência, a coordenadora de Inteligência de Mercado da Abicalçados, Priscila Linck, apresentou o Relatório Setorial 2019, que traz dados do segmento tanto em nível nacional quanto internacional. Frisando que o Brasil é o quarto produtor mundial do segmento calçadista, Priscila comentou que a produção de calçados cresceu apenas 0,1% em 2018, muito longe de recuperar as perdas dos anos anteriores. E esse pequeno crescimento, continua, foi especialmente prejudicado pelas exportações, que caíram mais de 10% naquele ano. “O impacto dos embarques no indicador de produção ficou em 1,4%, ou seja, se tivéssemos melhores resultados no ano passado, teríamos um crescimento de 1,5% no total produzido”, destacou.



Priscila também alertou para a perda de rentabilidade dos calçadistas ao longo de 2018, uma vez que não conseguiram repassar os custos e tiveram uma deflação de 2,7%. “O resultado foi que o faturamento caiu 2,3%”, concluiu.



Varejo

As mudanças e soluções para o varejo de calçados também estiveram em pauta no evento, com apresentação de um novo espaço da Francal e uma conversa com o diretor da Associação Brasileira dos Lojistas de Calçados e Artefatos (Ablac), Imad Esper, e com o especialista em varejo, César Duro.



Atenta às demandas do novo consumidor, e consequentemente do novo varejista, a Francal Feiras apresentou o espaço 100% Varejo, que será destinado aos visitantes na próxima feira. Neste espaço, de dois mil metros quadrados, será destinado um amplo leque de opções para os lojistas, com exposição de tecnologias para incremento de vendas, conteúdos qualificados e desfiles da moda Verão 2020. “A expectativa é de um incremento no número de visitantes entre 40% e 50% em relação à mostra do ano passado”, projetou o diretor da Francal Fernando Ruas. A feira calçadista acontece no Expo Center Norte, em São Paulo/SP, entre os dias 3 e 5 de junho.



Na conversa com varejistas, mediada pelo presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, foram destacadas as mudanças no perfil do consumidor, que devem ser acompanhadas pelo varejo atual. Segundo Esper, existe uma transformação nos modelos de negócios que precisa ser acompanhada, especialmente no que diz respeito à utilização de tecnologias de Inteligência Artificial para conversão de vendas.



O evento Análise de Cenários foi uma promoção da Abicalçados e da Assintecal, com parcerias da Associação Brasileira das Indústrias de Artefatos de Couro e Artigos de Viagem (Abiacav), Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq) e Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC), com apoio da Francal Feiras.

 

Alguns dados do Relatório Setorial 2019



Produção mundial (2017): 21,48 bilhões de pares

Produção brasileira (2018): 944 milhões de pares

Exportação mundial (2017): 12,5 bilhões de pares

Exportação brasileira (2018): 113 milhões de pares

Consumo no mundo (2017): 19,62 bilhões de pares

Consumo no Brasil (2018): 857,1 milhões de pares

Empregos diretos no Brasil (2018): 271 mil postos

Número de estabelecimentos: 6,6 mil



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